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quinta-feira, 21 de maio de 2009

O Homem que veio do passado

Uma noite de Junho de 1950, um homem vestido de modo insólito foi visto em Times Square, em Nova Iorque. Na época, o capitão Hubert Rhim estava encarregado das investigações sobre pessoas desaparecidas. Está atualmente na reserva e não possui todos os dados sobre o caso, visto que já não tem acesso aos processos da polícia. No entanto, recorda-se dos pormenores essenciais. O homem, que parecia ter uns trinta anos, foi visto no meio da multidão que saía de um teatro. Eram vinte e três e quinze. O desconhecido vestia inteiramente fora de moda: chapéu alto, casaco com uma fila de botões nas costas, calças apertadas, aos quadrados brancos e pretos, sem vinco nem dobra, sapatos altos de fivela. Ninguém o vira antes. As testemunhas declararam que estava imóvel no meio de uma encruzilhada, «observando com ar amedrontado os faróis que se cruzavam, como se nunca tivesse visto nada assim». Por fim pareceu dar-se conta do tráfego e dispôs-se a atravessar. Um agente da polícia, de serviço à esquina da rua, viu-o, mas antes de o poder alcançar o homem dirigiu-se para o passeio sem se preocupar com os automóveis. Um táxi apanhou-o em cheio e já estava morto quando chegaram os socorros. Foi transportado para o necrotério, onde foram cuidadosamente examinados todos os objetos que trazia consigo. Eis a lista:

Uma moeda de bronze fora de circulação;
A nota de uma estrebaria de Lexington Avenue (!): «Pela alimentação de um cavalo e por guardar uma viatura de um lugar, três dólares»;
Setenta dólares em notas antigas;
Alguns cartões de visita com o nome de Rudolf Fentz, residente na Quinta Avenida;
Uma carta dirigida ao portador e com o carimbo postal de Junho de 1876.

Não se conhecia em nenhum destes objetos nem a patina do tempo nem vestígios devidos a longo uso. As primeiras investigações permitiram estabelecer que a direção da Quinta Avenida correspondia a um armazém cujos proprietários declararam ignorar em que data ali se tinham instalado. Ninguém ouvira falar em Rudolf Fentz, cujo nome não figurava na lista telefónica. Um controle referente às impressões digitais, tanto em Nova Iorque como em Washington, não deu qualquer resultado. O capitão Rhim continuou com as suas investigações e a sua constância foi recompensada, pois encontrou na lista telefónica de 1939 um Rudolf Fentz Jr. Foi lá e soube que Fentz, na época, era um homem de uns sessenta anos, que trabalhava num banco da vizinhança. Em 1940, reformara-se e mudara de casa. No banco disseram-lhe que Fentz morrera cinco anos depois, em 1945, mas que a sua viúva ainda vivia na Florida. Esta, em resposta a uma carta de Rhim, escreveu-lhe para dizer que o pai do seu marido havia desaparecido misteriosamente na Primavera de 1876. Com efeito, a senhora Fentz não gostava que o marido fumasse em casa, de modo que ele tinha o costume de dar um passeio à noite para fumar um charuto antes de se deitar. Uma noite não voltou. A família emprendeu longas e dispendiosas buscas, que não deram qualquer resultado: todos os rastos haviam desaparecido. O capitão Rhim encontrou mais tarde uma lista das pessoas desaparecidas em 1876 e lá figurava o nome Rudolf Fentz. No momento em que deixara de ser visto tinha vinte e nove anos. A idade e a descrição do fato que usava correspondiam exatamente aos da vítima de Times Square. Por muito inacreditável que possa parecer, a interpretação deste assunto excepcional mostra que nos encontramos em presença de um exemplo flagrante, irrecusável, de chrono-transfert instantâneo, ou viagem no tempo. Por que prodigioso concurso de circunstâncias um homem pôde, sem o saber, franquear a entrada do interdito, penetrar em qualquer falha do continuum espaço-temporal - cujo uso se julgava só reservado aos romancistas de ficção - para percorrer, num segundo, um espaço de tempo de setenta e quatro anos? E que perda irreparável a morte acidental e bem compreensível deste involuntário «viajante do passado»! Mas talvez não seja o único...

Viagem no Tempo - Versalhes

Duas professoras em uma excursão a Paris e ao interior da França passaram por uma experiência digna de um filme de Steven Spielberg. No Palácio de Versalhes elas foram protagonistas de um fenômeno extraordinário de distorção temporal, um evento que mudou a vida das duas para sempre.

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Annie Moberley e Eleanour Jourdain


A Experiência

No feriado da Páscoa em 1901, duas professoras secundaristas de meia-idade, Annie Moberley e Eleanour Jourdain, juntaram-se a uma excursão a Paris e ao interior da França. Foi durante uma visi­ta ao palácio de Versalhes que as duas mulheres passaram por uma experiência de que jamais se esqueceriam. Após conhecer as de­pendências principais do palácio e sua área externa, as senhoritas Moberley e Jourdain percorreram os mundialmente famosos jar­dins que levam ao Petit Trianon, a residência favorita de Maria Antonieta.

Entretanto, como não possuíam um mapa detalhado do local, as duas mulheres se perderam e, encontrando por acaso dois ho­mens trajando vestes típicas do século XVIII, os quais elas pensa­ram ser moradores do local, pediram a eles informações sobre o país. Em vez de ajudar, os homens encararam-nas de forma estra­nha e cumprimentaram-nas precipitadamente. Mais adiante, passa­ram pelas inglesas uma mulher jovem e uma garota, também vesti­das à moda antiga, embora suas roupas fossem de má qualidade. Todavia, as professoras não suspeitaram que algo de estranho esti­vesse acontecendo até que chegaram ao pavilhão do Temple D’Amour, ocupado por muitos outros indivíduos vestidos como an­tigamente e falando um dialeto do francês desconhecido para elas.


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Palácio de Versalhes


Ao se aproximarem do Temple D’Amour, ficou claro para elas que algum detalhe de sua aparência chocava aquelas pessoas. Apesar disso, um dos homens mostrou-se cordial e, por meio de gestos, conduziu-as até o Petit Trianon. Chegaram lá depois de atravessar uma ponte de madeira cruzando uma pequena vala. Ainda que ti­vessem atingido finalmente seu destino, as duas mulheres deram pouca atenção à construção em si, concentrando-se na figura de uma pessoa que, sentada, desenhava um esboço do bosque próxi­mo. Muito atraente, trajando uma peruca imponente característica e um vestido longo típico da aristocracia do século XVIII, a mulher parecia mais o motivo para um quadro do que uma artista.

Elas foram se aproximando da figura aristocrática até que ela se virou bruscamente para ambas. Elas saudaram-na com sorrisos, mas ela simplesmente encarou-as com uma expressão de temor e perplexidade. Foi então que as duas inglesas por fim perceberam que, de algum modo, regrediram no tempo. Recordando-se de suas sensações, a senhorita Moberley re­feriu-se ao ambiente em que estava como de certa forma sobrena­tural. Escreveu posteriormente: “Até mesmo as árvores pareceram adquirir um aspecto bidimensional e sem vida. Não havia efeitos de luz e sombra... as árvores não farfalhavam ao vento.” Então, como se elas tivessem despertado de um sonho, a misteriosa quietude cessou e a ambiência e as cores voltaram ao normal. Em um piscar de olhos, a artista aristocrata desaparecera e, em seu lugar, surgira um guia de turismo contemporâneo, acompanhado de muitas se­nhoras em uma excursão ao Petit Trianon.


Após a Experiência

Após pesquisarem intensivamente a história do palácio de Versalhes, as professoras chegaram bastante tempo depois à con­clusão de que, de fato, se deslocaram ao passado através de uma espécie de distorção do tempo ou de um portal invisível interdimensional. Em sua opinião, o ano a que elas retornaram foi provavelmente o de 1789. Para as autoras, os jardineiros’ que não as compreenderam eram aparentemente os guardas suíços que notoriamente estiveram na corte de Luís XVI, e a mulher acompanhada de uma garota, ambas vestidas em farrapos, deviam ser camponesas que moravam nas cercanias dos jardins do palá­cio. A senhora aristocrática que fazia um esboço do bosque devia ser com certeza a própria Maria Antonieta.


Os Céticos

Os céticos — em grande número — ridicularizaram essa his­tória e insistiram que as professoras a inventaram simplesmente para ganhar dinheiro. Tais críticos apontaram de imediato para o fato de que não havia na história detalhe algum que não pudesse ser pesquisado anteriormente. Além do mais, como não existe qualquer menção a uma suposta ponte de madeira cruzando uma pequena vala em nenhum dos registros que documentam o palá­cio no século XVIII, esse exato aspecto da história mostrava-se incoerente com os fatos conhecidos.

A Prova

Quanto a essa última objeção, contudo, logo depois emergiu uma prova crucial que conferiu credibilidade às significativas lem­branças das professoras. Na década de 1920, uma cópia lacrada das plantas originais do palácio foi descoberta em uma chaminé de um prédio antigo em uma cidade vizinha.


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No círculo nota-se o quiosque descrito pelas professoras


Escondidas lá há muito tempo, possivelmente com a intenção de um arquivamento seguro, elas foram privadas da observação humana por mais de um século. Fato intrigante: as plantas do arquiteto faziam referên­cia à ponte de madeira sobre uma vala que as mulheres afirma­vam ter atravessado. Naturalmente, as autoras britânicas reclama­ram o reconhecimento da autenticidade de sua história e, muito embora tal fato não constituísse uma prova irrefutável de que elas realmente houvessem voltado ao passado, tornou-se muito mais difícil desprezar o incidente.

A despeito de o fenômeno de Versalhes permanecer talvez como o mais famoso exemplo de uma pessoa do século XX que visita o passado, ele não é o único desse gênero.


Fonte: Livro Além do Impossível, Internet, Google Imagens. Edição de imagens e texto Darkelros.