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sexta-feira, 22 de maio de 2009

O incrível caso de Phineas Gage

Em 1848, Phineas Gage era supervisor de construção de ferrovias da Portland & Burland Railroad. Impávido e dotado de um senso de responsabilidade incomum, o jovem e zeloso capataz – ele tinha apenas 25 anos de idade – reservava para si as tarefas mais perigosas. Poupando os seus subordinados das atividades que envolvessem sérios riscos, assumia pessoalmente a responsabilidade de explodir as rochas situadas no traçado da estrada de ferro.


Cranio e imagem de Phineas Gage, reconstituída a partir da máscara mortuária

Naquele fim de tarde, em Vermont, Estados Unidos, o jovem capataz protagonizou um acidente histórico, que permitiu à Ciência constatar que os danos ao córtex cerebral afetam a personalidade do indivíduo.

Uma carga de pólvora fora colocada pelo próprio supervisor na abertura de uma rocha. Então Gage empunhou uma barra de ferro de um metro de cumprimento e 2,5 centímetros de diâmetro para socar o orifício. Inadvertidamente, a barra resvalou na abertura do buraco. O atrito ocasionou uma fagulha, que fez a pólvora acender. Conforme esclarece R. M. E. Sabbatini (http://www.cerebromente.org.br/n02/historia/phineas_p.htm), a explosão que se seguiu “projetou a barra, com 2.5 cm de diâmetro e mais de um metro de comprimento contra o seu crânio, a alta velocidade. A barra entrou pela bochecha esquerda, destruiu o olho, atravessou a parte frontal do cérebro, e saiu pelo topo do crânio, do outro lado. Gage perdeu a consciência imediatamente e começou a ter convulsões. Porém, ele recuperou a consciência momentos depois, e foi levado a médico local, Jonh Harlow que o socorreu. Incrivelmente, ele estava falando e podia caminhar. Ele perdeu muito sangue, mas depois de alguns problemas de infecção, ele não só sobreviveu à horrenda lesão, como também se recuperou bem, fisicamente.”



Como ficou Phineas Gage após o acidente

Todavia, o zeloso Gage anterior à explosão, “descrito como equilibrado, meticuloso e persistente quanto aos seus objetivos, além de profissional responsável e habilidoso”, conforme pondera Cristina Marta Del-Ben (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832005000100004), simplesmente desapareceu. Em seu lugar, assomou, conforme concluiu o neurobiologista António Damásio, “uma pessoa impaciente, com baixo limiar à frustração, desrespeitoso com as outras pessoas, incapaz de adequar-se às normais sociais e de planejar o futuro. Não conseguiu estabelecer vínculos afetivos e sociais duradouros novamente ou fixar-se em empregos.”

Embora tenha milagrosamente sobrevivido à explosão, o capataz, que permanecera o resto da vida com a barra de ferro transfixada na face, tornou-se mesmo uma pessoa completamente diferente. Pouco tempo depois ao acidente – acresce Sabbatini – Phineas começou a ter mudanças surpreendentes na personalidade e no humor. “Ele tornou-se extravagante e anti-social, praguejador e mentiroso, com péssimas maneiras, e já não conseguia manter-se em um trabalho por muito tempo ou planejar o futuro.” O Phineas sobrevivente – pontuam William K. Purves, David Sadava e Gordon H. Orians – “era briguento, mal humorado, preguiçoso e irresponsável. Tornou-se impaciente e obstinado, passando a usar um linguajar rude nunca antes utilizado por ele.” “Phineas já não é mais Phineas”, diziam seus amigos.


Imagens do crânio e da barra de ferro que atingiu Phineas Gage

Estudos recentes, desenvolvidos pelos neurobiologistas portugueses Hanna e António Damásio, indicam que a maior parte dos danos sofridos por Gage incidiu sobre a região ventromedial dos lobos frontais, em ambos os lados, sem que a área cerebral responsável pela fala e funções motoras fosse afetada. Os cientistas, da Universidade de Iowa, empregaram técnicas de computação gráfica e de tomografia cerebral para avaliar a possível trajetória da barra de ferro, concluindo que as alterações de comportamento provavelmente decorreram da lesão. Observaram os pesquisadores que outros pacientes, com lesões semelhantes à de Gage, igualmente apresentaram déficits nos processos de decisão racional e no controle das emoções.


Reconstituição dos danos sofridos por Gage por computação gráfica

William K. Purves, David Sadava e Gordon H. Orians apontam que Gage passou o resto de sua existência como um desocupado, ganhando a vida contando a sua história, exibindo a barra de ferro e as suas cicatrizes. Ele morreu treze anos depois do acidente, pobre e epilético. Seu crânio, sua máscara mortuária e a barra de ferro estão em exibição no Museu da Faculdade de Medicina da Universidade de Havard.


Crânio de Phineas Gage

O terrível acidente que vitimou Phineas Gage permitiu à medicina constatar, em definitivo, que a personalidade do indivíduo reside no encéfalo. O acidente tornou-se um caso clássico nos livros de ensino de neurologia, já que, conforme pondera Sabbatini, a parte do cérebro afetada – os lobos frontais – passou a ser associada às funções mentais e emocionais que, no caso de Gage, ficaram alteradas. Ou, em síntese, como disse António Damásio,"Gage foi o início histórico dos estudos das bases biológicas do comportamento".

Fontes:

R. M. E Sabatini, “O espantoso caso de Phineas Gage”, disponível em:http://www.cerebromente.org.br/n02/historia/phineas_p.htm .

William K. Purves, David Sadava, Gordon H. Orians et al. : “Vida: a Ciência da Biologia”.

Jim Hiks et al. : “Para além da mente”, Col. “Mistérios do desconhecido”, Times-Life.

Cristina Marta Del-Ben: “Neurobiologia do transtorno de personalidade anti-social”, disponível em:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832005000100004.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Crânio de 'vampiro' do século 16 é encontrado perto de Veneza

Uma equipe de cientistas italianos encontrou na Itália uma caveira com um tijolo aparentemente colocado à força dentro da boca, o que indica que se acreditava que o cadáver era de um vampiro.

A caveira, de uma mulher, foi encontrada na escavação de uma vala comum onde eram enterradas vítimas de uma epidemia de peste bubônica na ilha de Lazzaretto Nuovo, perto de Veneza, nos séculos 16 e 17.

Matteo Borrini, da Universidade de Florença, disse que objetos eram colocados na boca de supostos vampiros na época para impedir que eles se alimentassem dos cadáveres de pessoas enterradas nas proximidades, se fortalecessem e passassem a atacar os vivos.

Borrini, que apresentou suas conclusões na 61ª reunião da Academia Americana de Ciências Forenses em Denver, nos Estados Unidos, disse que, na época da epidemia, muitos acreditavam que a doença era propagada por vampiros.

Crânio de suposto 'vampiro' do século 16 (Foto: Cortesia Matteo Borrin, apresentada na 61ª reunião da American Academy of Forensic Science)

Crânio de suposto 'vampiro' do século 16 (Foto: Cortesia Matteo Borrin, apresentada na 61ª reunião da American Academy of Forensic Science)



Fonte: G1

Homem perde pedaço do próprio crânio e atrai multidão na Índia

Centenas de pessoas estão se dirigindo para um hospital da cidade de Calcutá, no leste da Índia, para ver um paciente que segura nas mãos um pedaço de seu próprio crânio.

Médicos afirmam que um pedaço grande do crânio de Sambhu Roy, um eletricista de 25 anos, caiu no domingo depois de queimaduras graves terem impedido a irrigação sangüínea do local.

"Quando ele veio até nós, no final do ano passado, seu escalpo estava totalmente queimado e, em poucos meses, caiu expondo o crânio", disse, na quarta-feira, Ratan Lal Bandyopadhyay, cirurgião encarregado de tratar de Roy.

"Mais tarde, notamos que parte de seu crânio estava se soltando em virtude da falta de sangue na área afetada, algo que pode acontecer no caso de grandes queimaduras".

O pedaço do crânio caiu no domingo. E, agora, centenas de pessoas e dezenas de médicos reúnem-se ao redor da cama onde Roy está deitado, segurando o pedaço de osso nas mãos.

Bandyopadhyay disse que, milagrosamente, a parte interna do crânio e a membrana que ajuda na formação do osso não foram afetadas, o que permitiu que um novo pedaço crescesse na área.

"Quando o pedaço do crânio se descolou, achei que o paciente fosse morrer. Mas percebemos a formação de uma nova proteção para a cabeça dele e isso pode ter empurrado o 'crânio morto' para fora", afirmou. Apesar de possíveis, casos do tipo são extremamente raros.

Roy quase morreu ao ser eletrocutado quando consertava um fio de alta voltagem, em outubro passado. "Os médicos dizem que um novo pedaço de crânio substituiu o antigo. Mas eu não vou largar deste aqui", afirmou Roy.

O indiano pretende ficar com o pedaço de osso até morrer e não o entregará ao hospital ao receber alta. "Meu crânio me transformou em uma pessoa famosa", disse.

Um pedaço do crânio de Sambhu Roy caiu no domingo

Um pedaço do crânio de Sambhu Roy caiu no domingo


Fonte: Paraiba.com.br